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Indústria cearense mostra recuperação em dezembro

A produção industrial cearense registrou decréscimo em dezembro, comportamento usual para o mês, com indicador de 45,1 pontos, ou seja, abaixo da linha divisória dos 50 pontos. Entretanto, a menor intensidade da redução é evidenciada por ser o melhor resultado para o mês de dezembro desde 2012, segundo divulgou, ontem, a Sondagem Industrial, realizada pelo Núcleo de Economia e Estratégia da Federação das Indústrias do Estado (Fiec) – em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) – que considerou os dados do fim do ano como indicadores de uma trajetória de recuperação.

A utilização média da capacidade instalada da indústria cearense foi de 44,4 pontos no período. Mesmo sendo abaixo do usual, ainda representa o melhor resultado para dezembro dos últimos cinco meses, fato também ocorrido para a evolução do número de empregados. “Desta forma, a indústria opera com estoques dentro do planejado”, diz o levantamento. Os industriais cearenses revelaram relativa assertividade no que se refere ao planejamento dos estoques em relação ao nível efetivo – cujo índice registrado foi de 48,7. O indicador é importante, uma vez que elevações na demanda por produtos industriais refletirão em expansão da produção.

Perspectivas

As expectativas dos industriais cearenses são bastante positivas para os próximos seis meses. Os índices de perspectivas quanto à demanda, à compra de matérias-primas e à quantidade exportada registram 60,2 pontos, reforçando o otimismo por parte dos industriais cearenses no mês da coleta, ou seja, em janeiro de 2018. A intenção de investimento por parte dos industriais cearenses situou-se acima da média histórica de 49,66 pontos (calculada desde novembro de 2013), ao registrar 55,2 pontos, mas ainda permanece distante do período pré-crise (71,7 pontos em dezembro de 2013).

Também estão bastante otimistas as expectativas com relação à exportação dos produtos industriais cearenses. Em janeiro, o indicador assinalou 62,2 pontos, o que corresponde a um acréscimo de 5,2 pontos em relação ao mês de dezembro. No mesmo sentido, a compra de matérias-primas tem perspectivas positivas, com 55,7 pontos. O resultado é o segundo melhor do Ceará para o mês de dezembro da série histórica iniciada em 2011. Contudo, Com relação à empregabilidade do setor, a tendência é de estabilidade no mercado de trabalho industrial para os próximos seis meses. O índice registrado é de 50,3 pontos, próximo ao limiar dos 50 pontos.

Brasil

No País, a utilização média da capacidade instalada da indústria brasileira foi de 64% em dezembro do ano passado. O percentual foi superior ao do mesmo mês de 2016, de 63%, e de 2015, 62%, mas ainda está abaixo de 2014, quando foi de 68%. Segundo a CNI, os principais problemas enfrentados pelo setor são a carga tributária, a falta de demanda interna e a inadimplência dos clientes. Os dados de dezembro sugerem “a manutenção do processo de recuperação da indústria no encerramento do ano”, disse a entidade, em nota. A confederação explica que é comum que a produção caia em dezembro, com o fim das encomendas para festas de fim de ano, mas, em 2017, essa queda foi mais branda.

O índice que mede a variação da produção em relação ao mês anterior ficou em 42,4 pontos em dezembro, em uma escala de 0 a 100 em que qualquer valor abaixo de 50 pontos representa recuo. O resultado é o melhor para dezembro desde 2011, quando o índice foi de 42,6 pontos. Em 2015, dezembro ficou com 35,5 pontos e, em 2016, com 40,7 pontos. Ainda segundo a CNI, a queda no índice que mede a variação no número de empregados foi a menor da série histórica, que começou em 2011. Assim como a produção, o número de empregados também costuma cair no mês de dezembro, de acordo com a confederação. A pesquisa também mostra que houve queda nos estoques, dentro do que foi planejado pelas empresas.

Finanças pesam

O índice que mede a satisfação financeira dos empresários com o desempenho de suas indústrias continua desfavorável, mas em trajetória de melhora. No fim de 2015, o indicador estava em 38,8 pontos, em uma escala em que apenas valores acima de 50 pontos indicam satisfação. No quarto trimestre de 2017, o índice chegou a 47,3 pontos. A insatisfação em relação ao lucro operacional também diminuiu neste mesmo período, de 33,2 pontos para 42,8 pontos, se for levado em conta que, quanto menor o indicador, pior é a percepção sobre o cenário.

Fonte: O Estado