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Dólar recua, abaixo de R$ 3,70, com alívio externo

O dólar opera em queda nesta quinta-feira (25), em sintonia com o movimento no exterior, onde as moedas emergentes se recuperavam do tombo da véspera, e com investidores aguardando a divulgação de mais uma pesquisa de intenção de voto à Presidência da República do Datafolha após o fechamento.

Às 14h40, a moeda norte-americana caía 1,60%, vendida a R$ 3,6822. O dólar turismo era negociado e a R$ 3,84, sem considerar a cobrança de IOF (tributo). Veja mais cotações.

Cenário internacional

"A realização de lucros perde força no contexto internacional, dadas as oportunidades surgidas com as fortes quedas dos últimos dias, porém isso não significa que esteja decretado o fim da correção", comentou à Reuters o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira, em relatório.

"Os fatores que deram o tom das tensões dos últimos dias continuam os mesmos", acrescentou, citando preocupações com o Orçamento da Itália, crescimento da China, isolamento da Arábia Saudita e aumento de juros pelo Federal Reserve.

Essas preocupações ganharam na véspera ainda o reforço com envio de pacotes com supostos explosivos a lideranças democratas, a poucos dias das eleições parlamentares nos Estados Unidos, o que amplificou a fuga do risco na quarta-feira.

Nesta manhã, o aumento acima do previsto das encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos acabou levando o dólar a bater a máxima da sessão, já que dá justificativa para o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) continuar em sua trajetória de aperto monetário.

O indicador mostrou alta de 0,8% em setembro, ante previsão de queda de 1% dos economistas ouvidos pela Reuters. Outro dado robusto foi o de vendas pendentes de imóveis, que subiu 0,5% no mês passado, ante expectativa de que cairia 0,1%.

Mas os investidores especulam se os mercados acionários fracos poderiam inviabilizar os planos de o Fed continuar a aumentar os juros.

O dólar lá fora subia ante a cesta de moedas, mas caía ante divisas de países emergentes, como o peso chileno e a lira turca.

Cenário local

Internamente, os investidores acompanham o noticiário político, em dia de nova pesquisa de intenção de voto, do Datafolha, após o fechamento do mercado.

Os investidores monitoram o noticiário político, sobretudo em busca de informações "positivas" sobre o provável novo governo, no que diz respeito, principalmente, ao ajuste fiscal.

O Banco Central vendeu nesta sessão 7,7 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 6,93 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 1,24%, vendida a R$ 3,7422.

Perda de força

O dólar, que chegou a bater recorde do Plano Real em 13 de setembro, a R$ 4,1952, passou a perder força e caiu abaixo de R$ 3,70, acumulando no mês até esta quinta-feira queda preliminar de pouco mais de 8%, segundo cotação do ValorPro. No ano, no entanto, a alta acumulada é de mais de 11%.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 recuou de R$ 3,81 para R$ 3,75 por dólar, segundo previsão de analistas de instituições financeiras divulgada por meio de boletim de mercado pelo Banco Central nesta semana. Para o fechamento de 2019, permaneceu estável em R$ 3,80 por dólar.

Fonte: G1